segunda-feira, dezembro 6, 2021
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UFRJ inicia testes clínicos com vacina BCG para combate ao coronavírus

Universidade também inaugurou laboratório de campanha para ampliação da capacidade de exames diagnósticos

A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) começou no início da semana os ensaios clínicos com a vacina BCG para a prevenção contra a covid-19. Inicialmente, serão vacinados mil profissionais da saúde que terão acompanhamento para a coleta de dados da pesquisa.

A iniciativa, financiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), conta com o investimento de R$ 1 milhão em recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para a pesquisa, valor disponibilizado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

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Pesquisa sobre eficácia da BCG

A BCG é uma vacina aplicada no nascimento para prevenir formas graves de tuberculose em crianças. A investigação sobre a eficácia da BCG no combate ao coronavírus partiu de uma hipótese baseada em dados que mostram que países que mantêm o uso da vacina apresentaram menor incidência de covid-19 em comparação com os que suspenderam o uso da BCG universal, como, por exemplo, os Estados Unidos, a Espanha e a Itália.

Fernanda Mello, professora de Tisiologia e Pneumologia do Instituto de Doenças do Tórax (IDT/UFRJ), coordena a pesquisa. A cientista explica que os estudos buscam responder se a vacina ajuda tanto na prevenção da infecção quanto na ocorrência de formas graves da COVID-19. “Temos evidências que, na verdade, neste momento, a revacinação traria uma nova carga de estimulação para essa imunidade inata, de forma que ela poderia se tornar mais eficiente para resposta a outros desafios, como, por exemplo, o vírus SARS-CoV-2”, afirmou.

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Fernanda destacou, ainda, a importância do estudo junto aos profissionais de saúde: “Ao avaliarmos o efeito da vacina BCG entre profissionais de saúde, esperamos verificar seu potencial para evitar o adoecimento e as formas graves da doença entre eles, que representam o braço operacional da linha de cuidado aos pacientes com COVID-19. A manutenção dessa força de trabalho é fundamental para que seja garantido o melhor cuidado aos portadores do coronavírus”.

Universidade fará 300 testes por dia

A UFRJ também inaugurou as instalações do laboratório de campanha para testes diagnósticos no campus Cidade Universitária. O objetivo é aumentar a capacidade de realizar testes diagnósticos da covid-19.

O professor Amilcar Tanuri, também consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS), é coordenador do laboratório de campanha da UFRJ, que foi reformado com capacidade NB-2 de biossegurança e agora terá a capacidade de fazer 300 testes moleculares do tipo PCR por dia. Ainda que seja focado em testes moleculares, o laboratório também pode realizar exames sorológicos e antigênicos. Tanuri frisou que a UFRJ já realizou mais de 30 mil testes diagnósticos de coronavírus e a relevância da Universidade centenária no cenário brasileiro.

O professor destacou outros fatores importantes da iniciativa: “É interessante, nesta concepção de laboratório ligado à universidade, que os testes se tornam parte da pesquisa”, afirmou. “Não são meros testes, como são feitos em laboratórios privados, nos quais o paciente só recebe o resultado”.

Segundo ele, a estrutura moderna do laboratório está dando apoio ao estado do Rio, especialmente à comunidade da UFRJ, que soma mais de 70 mil pessoas, entre alunos, professores, técnicos-administrativos e terceirizados. A expectativa é dar mais segurança quando houver a retomada das atividades na Universidade.

UFRJ no combate ao coronavírus

A reitora da UFRJ pontuou o trabalho árduo da Universidade no enfrentamento da pandemia. “Estamos há sete meses enfrentando essa doença, que é uma doença que acomete uma parte da população de forma muito grave. Desde o início, no mês de fevereiro, o GT Coronavírus da UFRJ já tinha emitido o primeiro boletim, sob a liderança do professor Roberto Medronho”, disse Denise, lembrando que, quando os álcoois tinham sumido das prateleiras dos mercados, a UFRJ produziu mais de 80 toneladas, distribuídas nas nove unidades de saúde da Universidade, bem como nos laboratórios.

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