terça-feira, junho 22, 2021
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Instituto Butantan faz testes de soro em animais para tratar covid-19

Objetivo é usar medicamento em pacientes com covid-19.

O Instituto Butantan está testando em animais um soro contra o coronavírus. O medicamento começou a ser desenvolvido há mais de cinco meses pelo instituto, usando vírus inativo para induzir a produção de anticorpos por animais. Nos próximos dias, a instituição deve apresentar os resultados dessa etapa da pesquisa.

O soro que está sendo testado atualmente em hamsters foi produzido a partir da inoculação do vírus inativo em cavalos. O corpo dos animais reage ao microrganismo e produz anticorpos para combater a infecção. Depois, o sangue dos equinos é coletado e esses anticorpos isolados para que possam ser usados contra a doença. É esse produto que está sendo testado nos roedores que foram inoculados previamente com coronavírus. Agora, os pesquisadores podem observar se o soro será efetivo contra a doença.

Segundo a diretora do Centro de Desenvolvimento e Inovação do Butantan, Ana Marisa Chudzinski Tavassi, os testes clínicos do soro em animais vivos são uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que o medicamento possa ser usado em pacientes com covid-19. “A Anvisa pediu para fazer um teste para provar que esse teste é capaz de reduzir a quantidade de vírus”, enfatizou em entrevista à Agência Brasil.

O Butantan já é referência na produção de soros, como os antiofídicos, que neutralizam os efeitos de venenos de cobras, e o antirrábico, contra a raiva. “O Butantan produz soro há mais de cem anos”, afirmou Tavassi.

Rio de Janeiro e América Latina

O soro que está sendo desenvolvido no Butantan se diferencia do que está sendo produzido no Instituto Vital Brazil por usar o vírus inteiro inativado. No instituto de pesquisa do Rio de Janeiro, o soto foi produzido a partir da reação dos cavalos a uma das proteínas do coronavírus.

A diretora do Butantan disse que outros países da América Latina, como México e Costa Rica, também estão desenvolvendo produtos semelhantes. “Na Argentina já fizeram ensaio clínico em pacientes moderados para grave, pacientes hospitalizados. Eles provaram que funciona, que reduziu mortalidade e necessidade de ventilação”, exemplificou.

Infraestrutura e expertise

Caso os resultados dos testes em animais sejam favoráveis, e seja possível administrar o medicamento e obter bons resultados também com pacientes humanos, Tavassi acredita que o soro vai abrir uma importante possibilidade de tratamento contra a doença no Brasil.

De acordo com ela, o Butantan possui um número significativo de animais e infraestrutura para fazer uma produção em escala do produto, se for o caso. Capacidade que pode, inclusive, ser ampliada com eventuais parcerias. “A gente consegue fazer a coisa muito rapidamente, porque a gente tem a infraestrutura para fazer isso e o pessoal que é expert no assunto”, destacou, sobre o apoio da pesquisa em uma construção desenvolvida ao longo de muito tempo. “É claramente o resultado de anos e anos de investimento em uma área específica em que o Butantan é líder.”

Vacinação enroscada

Nesta quarta-feira, o governo de São Paulo afirmou que vai exportar doses extras da Coronavac se o governo Jair Bolsonaro (sem partido) não manifestar interesse pela compra. A afirmação foi feita durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede oficial do governo paulista.

Segundo o governo, o Butantan tem contrato para fornecer 46 milhões de doses ao governo federal, com a possibilidade de adicionar 54 milhões de doses extras.

“O Butantan tem compromisso com outros países e, se o Brasil declinar desses 54 milhões, vamos priorizar os demais países com quem temos acordo”, disse Dimas Covas, do Instituto Butantan.

O governo de São Paulo e o governo federal travam uma disputa para adquirir doses da Coronavac. O instituto Butantan tem capacidade tecnológica para produzir o imunizante, mas depende dos insumos vindos da China.

O governo federal não tem conseguido viabilizar junto ao governo chinês os insumos para que a produção em solo nacional aumente. Com isso, políticos diversos entraram na negociação junto ao país asiático, como o ex-presidente da República Michel Temer.

Bolsonaro acredita que Doria tem usado a vacina para se cacifar politicamente pensando nas eleições presidenciais de 2022. O tucano nega tais pretensões e diz que seu único objetivo é imunizar os brasileiros o mais rápido possível.

Fonte: Agência Brasil

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