quinta-feira, agosto 5, 2021
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Indígenas de Rondônia e Mato Grosso lançam criptomoeda

Parecida com a criptomoeda Bitcoin, conheça o OYX das aldeias

Em meio a dificuldades enfrentadas pelas comunidades tradicionais por causa da pandemia da covid-19, comunidades indígenas de Rondônia e de Mato Grosso se uniram em torno de uma ação inovadora para auxiliá-los nessa situação de emergência. Foi lançada no início de novembro a OYX, uma criptomoeda mundial indígena transcultural. Essa criptomoeda é parrecida com a Bitcoin, entenda:

As criptomoedas são moedas virtuais, armazenadas em carteiras digitais, que podem estar online ou instaladas em computadores ou celulares. Elas funcionam por meio de um código complexo, único e que não pode ser alterado isoladamente. Um exemplo é o Bitcoin, criptomoeda que vem ganhando cada vez mais espaço.

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O recurso foi idealizado por Elias Oyxabaten Suruí, do povo Suruí Paiter, que se uniu aos Cinta Larga, dois povos que são tradicionais rivais. “É uma ideia minha de união. A intenção é trabalhar com os dois povos e mostrar serviço para auxiliar as duas comunidades na região”. Juntos, os Suruí Paiter e os Cinta Larga somam cerca de 4 mil pessoas.

OYX

OYX é a abreviação do sobrenome de Elias, que significa homem persistente. A porta-voz da OYX, Adriana Siliprandi, explica que a ideia é permitir que as aldeias possam criar novos projetos econômicos com autonomia.

A premissa da iniciativa não é de servir de aplicação financeira. Embora a OYX seja anunciada como uma criptomoeda, trata-se, na realidade, de um token utilitário [gerador de senha], uma espécie de criptoativo, mas que, à diferença do bitcoin, por exemplo, não tem características de investimento, como perspectivas de remuneração ou de valorização em mercado secundário”.

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Serão emitidas inicialmente 100 milhões de OYX, com valor de R$ 10 a unidade. Segundo Adriana, as aplicações poderão ser feitas em reais. “A ideia é que o token seja pareado com a moeda brasileira”. Entre os objetivos de arrecadação estão a construção de escolas, compra de sementes e equipamentos e ações de saneamento.

Sem auxílio

Segundo Elias, que trabalha no Distrito Sanitário da Saúde Indígena, os Suruí Paiter e os Cintas-Largas mantêm o modo de vida tradicional indígena, tendo como base de sobrevivência a pesca, a plantação, o artesanato e a agricultura. Porém, nos últimos meses esses povos lutam contra a fome, a covid-19, o garimpo ilegal, o agronegócio e o desmatamento.

A arrecadação conseguida com a criptomoeda será usada para construir e manter projetos nas regiões onde vivem esses povos, nos estados de Rondônia e Mato Grosso, garantindo uma renda mínima, segurança alimentar e integração das aldeias. O lançamento da OYX ocorrerá durante o evento online Blockchain Connect 2020, às 18h.

Funai

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que investiu mais de R$ 37 milhões no combate à covid-19 junto aos povos indígenas. “…Destaca-se a entrega de cerca de 425 mil cestas de alimentos a 207 mil famílias indígenas. [..] A medida é fundamental para garantir a segurança alimentar das comunidades durante a pandemia, além de contribuir para que os indígenas permaneçam nas aldeias e evitem o contato com o vírus”.

Em nota, a fundação informa que também distribuiu quase 70 mil kits de higiene e limpeza, além de reforçar a adoção de medidas preventivas. “O órgão promove diversas ações de orientação junto às comunidades sobre os protocolos sanitários. Os servidores da fundação vêm atuando ainda na conscientização dos indígenas para que eles evitem as aglomerações, bem como o deslocamento aos centros urbanos.”

Segundo a Funai, foram investidos, ainda, R$ 10,4 milhões em ações que visam a autossuficiência das comunidades, como a aquisição de materiais de pesca, sementes, mudas, insumos, ferramentas e maquinários agrícolas.

Além de R$ 11,8 milhões na proteção da territorial, com 306 ações em 221 Terras Indígenas para coibir ilícitos desde o início da pandemia, como extração ilegal de madeira, atividade de garimpo e caça e pesca predatórias. As ações são feitas em parceria com outros órgãos, como o Exército, a Polícia Federal e o Ibama.

A Funai suspendeu em março as autorizações para ingresso em Terras Indígenas e está com 313 barreiras sanitárias para impedir a entrada de não indígenas nas aldeias. “Os indígenas contam ainda com uma Central de Atendimento específica para solicitações relacionadas ao combate à covid-19 para que as demandas cheguem mais rápido aos órgãos competentes”, informou o órgão.

 

Fonte: Agência Brasil

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