sexta-feira, fevereiro 26, 2021
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Inadimplência cai no fim de 2020, apesar de alta no endividamento

Levantamento foi feito pela Confederação Nacional do Comércio

A inadimplência caiu em dezembro, apesar de os consumidores estarem mais endividados, revelou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) de dezembro, o total de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu de 25,7% em novembro para 25,2% em dezembro.

Essa foi a quarta redução seguida do indicador. Em relação a dezembro de 2019, a proporção de consumidores inadimplentes cresceu 0,7 ponto percentual.

A parcela das famílias que declararam não ter condições de quitar o atraso, permanecendo inadimplentes, caiu de 11,5% em novembro para 11,2% em dezembro. No mesmo mês de 2019, o indicador estava em 10%.

Mais dívidas

Depois de três meses seguidos de redução, o número de brasileiros com dívidas voltou a subir em dezembro. Segundo a Peic, 66,3% dos consumidores estavam endividados no mês passado, alta de 0,3 ponto percentual com relação a novembro. No comparativo anual, o indicador registrou aumento de 0,7 ponto percentual.

Em relação aos tipos de dívida, a proporção de brasileiros que utilizam o cartão de crédito aumentou de 77,8% em novembro para 79,4% das famílias em dezembro. Essa foi a maior taxa desde janeiro de 2020. O cartão manteve-se como a principal modalidade de endividamento. A participação do cheque especial também subiu, de 5,3% para 5,5%.

Recomendações

Na avaliação da CNC, a alta do endividamento reflete a recuperação do crédito, estimulado pelos juros baixos e por estímulos concedidos durante a pandemia de covid-19. A entidade, no entanto, aconselha que os bancos alonguem os prazos de pagamento das dívidas para reduzir o risco de inadimplência no sistema financeiro. Isso porque grande parte do crédito ofertado durante a pandemia foi concedido com carência nas parcelas e deve começar a vencer no início deste ano.

A CNC também recomenda que as famílias prestem mais atenção ao orçamento doméstico após o fim do auxílio emergencial. Para a entidade, o crédito pode voltar a funcionar como ferramenta de recomposição da renda, à medida que a recuperação do emprego enfrenta incertezas.

Incerteza sem o auxílio

Instituído entre março e abril do ano passado, o auxílio emergencial formulado no Congresso e aprovado pelo presidente Jair Bolsonaro ajudou cerca de 70 milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade.

A ajuda, no entanto, não será prorrogada para 2021. O Ministério da Economia tentou arquitetar um novo plano econômico de apoio, intitulado Renda Brasil, mas o projeto não saiu do papel. A ideia do governo neste momento é melhorar o Bolsa Família.

Bolsonaro tem sido questionado sobre uma possível continuidade do auxílio emergencial. Na quarta-feira (6), durante uma conversa com apoiadores em Brasília, o presidente disse que é impossível continuar bancando um auxílio neste momento.

“Qual país do mundo fez auxílio emergencial? Parecido foi nos Estados Unidos. Aqui alguns querem torná-lo definitivo. Vamos pagar para todo mundo R$ 5 mil por mês, ninguém trabalha mais, fica em casa”, disse Jair Bolsonaro.

Assim como aconteceu em 2020, deputados federais defendem um novo auxílio emergencial para 2021. A proposta tem sido articulada por parlamentares de diversos partidos, inclusive aqueles antagonistas entre si.

A iniciativa também está em discussão no Senado , onde há um projeto que pretende manter o benefício até março deste ano . A iniciativa foi proposta pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e até o momento não foi discutida pelo plenário.

Além de Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes , já declarou publicamente ser contra a prorrogação do auxílio emergencial . O líder de governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), também disse que o  Governo não pretende discutir o benefício no Congresso Nacional.

A Caixa Econômica Federal liberou na quarta-feira (6) o saque do auxílio emergencial para os nascidos em abril. Os beneficiários poderão retirar o dinheiro dos ciclos 5 e 6 de pagamentos, a 8ª e 9ª parcelas, respectivamente.

Durante o mês de janeiro de 2021, o banco ainda vai liberar oito retiradas em dinheiro do auxílio emergencial. No entanto, a Caixa não abrirá as agências aos sábados ou domingos e os saques acontecerão nas segundas, quartas e sextas.

Com informações da Agência Brasil

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