sábado, fevereiro 27, 2021
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Após invasão, Congresso dos EUA certifica vitória de Joe Biden

Em mensagem no Twitter, Trump prometeu "transição ordeira"

O Congresso dos EUA certificou nesta quinta-feira (7) a vitória de Joe Biden para a Presidência dos Estados Unidos. A ratificação ocorreu por volta das 3h40 (5h40, no horário de Brasília) horas depois de o Capitólio, sede do Parlamento norte-americano, ser invadido por manifestantes. Biden teve 306 votos confirmados contra 232 para o atual presidente do país, Donald Trump.

O protesto interrompeu os trabalhos dos congressistas durante várias horas, e o confronto entre manifestantes e policiais deixou pelo menos quatro pessoas mortas e mais de 50 detidas. Após a certificação pelo Congresso, Trump prometeu uma “transição ordeira”.

A sessão de confirmação começou ontem (6) por volta das 13h (15h no horário de Brasília), mas foi interrompida meia hora depois, após uma invasão violenta do Capitólio por manifestantes que participavam de um protesto em Washington. A sessão só foi retomada às 20h (22h, horário local).

Nas últimas horas, ainda antes da aprovação dos votos eleitorais, os congressistas rejeitaram duas tentativas de objeção aos resultados de novembro, apresentadas por representantes republicanos do Arizona e da Pensilvânia. As moções não reuniram votos suficientes por parte de outros Estados para serem discutidas.

Donald Trump reagiu pelo Twitter de Dan Scavino, diretor de redes sociais do presidente norte-americano. Embora afirme que a transição será ordeira, o presidente voltou a desacreditar o resultado eleitoral:

“Embora discorde totalmente do resultado da eleição e os fatos me deem razão, ainda assim haverá uma transição ordeira em 20 de janeiro. Sempre disse que continuaríamos a nossa luta para garantir que apenas votos legais fossem contabilizados. Embora isso represente o fim do melhor primeiro mandato na história da presidência, é apenas o princípio da nossa luta para tornar a América grande outra vez”, diz o tuíte.

A certificação da vitória de Joe Biden acontece no rescaldo do segundo turno das eleições na Geórgia para o Senado, em que os democratas obtiveram duas vitórias históricas.

Pela primeira vez em 20 anos, o Partido Democrata conseguiu eleger não um, mas dois senadores por aquele Estado, retirando do Partido Republicano a maioria no Senado. Agora, cada partido tem 50 assentos, mas os democratas tem a vantagem do voto de minerva da vice-presidente eleita Kamala Harris – uma vez que, segundo a legislação norte-americana, o vice-presidente do país preside o Senado.

O Democratas também têm maioria na Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil).

Repercussão pelo mundo

Líderes internacionais repercutiram a invasão no Congresso norte-americano. O episódio ganhou a solidariedade de diversos presidentes e lideranças políticas. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, caracterizou a formalização do resultado favorável a Biden como um triunfo das forças democráticas.

“Infelizmente, o presidente Trump não aceitou sua derrota desde novembro, quando foram realizada as eleições, nem mesmo ontem, e isso naturalmente criou um ambiente que permitiu tais eventos violentos”, comentou Merkel em uma entrevista coletiva.

Nas redes sociais, o primeiro-ministro da Itália, Guiseppe Conte, disse estar preparado para trabalhar com Biden para “promover uma agenda global voltada ao crescimento, sustentabilidade e inclusão”.

Já o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse que o país está preocupado com os “ataques à democracia” no EUA. Os países são parceiros geográficos e comerciais. “A violência nunca irá ser bem-sucedida em invalidar o desejo do povo. A democracia nos EUA precisa ser respeita – e será”, escreveu Trudeau em suas redes sociais.

Já o premiê britânico, Boris Johnson, classificou como “vergonhosos” os protestos violentos em Washington. “Os EUA defendem a democracia ao redor do mundo e, agora, é vital que ocorra uma ordeira e pacífica transição de poder”, destacou.

A primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, responsabilizou Trump pela situação. “O que estamos vendo em Washington é um completamente inaceitável ataque à democracia dos EUA. O presidente Trump tem que ser responsável para parar isso. Imagens assustadoras”, comentou.

Fonte: Agência Brasil

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